PEA Rede Observação reúne comunidades tradicionais para troca de experiências em quilombo de Mangaratiba
Atividade da Fase 2 do PEA Rede Observação reuniu representantes de 11 municípios para conhecer a trajetória de luta do Quilombo Santa Justina e Santa Izabel e discutir organização comunitária, direitos e participação social.
Por Rede Observação - Rede Observação
18/08/26 20h50 - aproximadamente 15 horas
Representantes de comunidades tradicionais acompanhadas pelo Projeto de Educação Ambiental (PEA) Rede Observação passaram dois dias no Quilombo Santa Justina e Santa Izabel, em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio de Janeiro, conhecendo a trajetória de organização da comunidade e discutindo desafios comuns enfrentados em seus territórios. A atividade ‘Experiência Exitosa’, realizada nos dias 4 e 5 de agosto, faz parte do plano de trabalho da fase 2 do projeto.
A programação começou com uma roda de conversa conduzida pela liderança quilombola, Iosana Mathias, que apresentou a história da comunidade, o processo de resistência e as conquistas obtidas no decorrer dos anos. À tarde, o presidente do quilombo, Vicente, deu continuidade ao diálogo ao abordar a organização comunitária e a relação do território com as políticas públicas.
A escolha da comunidade para a chamada Experiência Exitosa levou em conta sua trajetória de organização, preservação da identidade e defesa do território. Para Anelise Vargas, educadora do eixo de Pesquisa Social do projeto, o encontro permitiu aos participantes conhecerem estratégias construídas pela comunidade e refletir sobre suas próprias experiências.
“Nos ensinaram que é na manutenção de seu ‘território sagrado’, na valorização de suas práticas tradicionais e no resgate e na preservação de sua memória que encontram força e sentido para seguir resistindo e construindo seu futuro.”
Um dos momentos da programação foi a Trilha Imperial, conduzida pelo quilombola Hilson Pereira. Os participantes conheceram o antigo caminho construído por pessoas escravizadas, visitaram o cemitério onde foram sepultados trabalhadores que participaram da construção da estrada e ouviram relatos sobre a formação do território e a memória preservada pela comunidade.
No segundo dia, os participantes discutiram o direito à consulta livre, prévia e informada, previsto na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), participaram de uma oficina sobre vivências na roça e de uma roda de avaliação. O encerramento teve uma apresentação de capoeira dos moradores do quilombo, que também convidaram os visitantes a participar.
Foto: Mariane Siqueira / Comunicação Insititucional
Para Camila Panno, coordenadora-geral do PEA Rede Observação, o intercâmbio contribui para a valorização das identidades, a troca de saberes e a reflexão sobre estratégias de resistência.
“A experiência exitosa no quilombo de Santa Justina e Santa Izabel trouxe trocas práticas sobre o território, apoio emocional aos grupos do PEA, que perceberam que a luta é árdua e contínua em qualquer local e que a união é essencial na defesa de direitos comuns.”
Participaram da atividade pescadores artesanais, agricultores familiares, marisqueiras e quilombolas dos 11 municípios monitorados pelo projeto. Segundo Anelise, os grupos também contribuíram com suas próprias experiências.
“O encontro foi uma oportunidade de reconhecer, nas experiências uns dos outros, desafios que se aproximam e estratégias que podem ser compartilhadas e, sobretudo, a força que nasce quando comunidades se encontram, se escutam e se fortalecem mutuamente.”
Durante a avaliação final, representantes dos grupos afirmaram que pretendem compartilhar, em seus territórios, as experiências e os aprendizados construídos durante os dois dias de atividade. Entre as reflexões apresentadas, esteve a percepção de que processos de mobilização ganham mais alcance quando diferentes comunidades mantêm diálogo permanente e compartilham estratégias para a defesa de seus direitos e de seus territórios.
Com metodologias da educação ambiental crítica, o projeto busca o fortalecimento e a autonomia dos grupos locais.
A realização do PEA Rede Observação é uma medida de mitigação exigida pelo Licenciamento Ambiental Federal, conduzido pelo IBAMA.