Agricultora do Coletivo Andorinhas participa, em Brasília, de oficina sobre mudanças climáticas e trabalho rural
Oficina em Brasília reuniu pesquisadores e trabalhadores rurais para discutir saúde, direitos e os impactos das mudanças climáticas na agricultura familiar; recomendações devem orientar políticas públicas.
Por Rio das Ostras - Rede Observação
24/02/26 20h00 - aproximadamente 3 horas
Fotos: Arquivo/Coletivo Andorinhas
A agricultora familiar Alcimara Lozan, do Coletivo Andorinhas, em Rio das Ostras (RJ), participou, nos dias 5 e 6 de fevereiro, da oficina nacional sobre mudanças climáticas e o trabalho na agricultura brasileira, realizada em Brasília (DF). A escolha de Alcimara como representante do coletivo para compartilhar suas experiências na etapa nacional foi um desdobramento da visita técnica ao território de pesquisadoras da Universidade Federal Fluminense (UFF), no âmbito da pesquisa “Mudanças Climáticas, Saúde do Trabalhador e Trabalho Decente”, coordenada pelo Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFF).
A oficina nacional foi um espaço de diálogo e construção coletiva e reuniu representantes de diversos segmentos da sociedade. As atividades foram organizadas em três eixos temáticos, com debates em grupos focais fundamentados nos marcos dos direitos humanos, da justiça climática e do trabalho decente na agricultura, em consonância com a Constituição Federal e com os compromissos assumidos pelo Brasil na Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente o ODS 8 - Trabalho Decente e Crescimento Econômico. A oficina integra o mesmo projeto de pesquisa desenvolvido em parceria pela Universidade Federal Fluminense (UFF), pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e pela Universidade de Nottingham, com financiamento da The British Academy.
“As trocas realizadas foram muito enriquecedoras, especialmente com as companheiras do Maranhão, do Mato Grosso e de outros territórios, possibilitando a ampliação de aprendizados e vivências diversas. Um dos pontos que mais me levou à reflexão em relação aos conflitos no campo foi o relato sobre a pulverização aérea realizada por grandes fazendeiros. Os agrotóxicos aplicados nas plantações acabam sendo espalhados pelo vento, atingindo e destruindo as lavouras dos agricultores familiares. Além dos prejuízos na produção, essas famílias perdem o direito à certificação agroecológica e orgânica, ficando suspensas por até cinco anos sem poder plantar, e ainda enfrentam situações de intimidação e ataques por parte dos fazendeiros”, afirmou a agricultora familiar Alcimara Lozan.
O Coletivo Andorinhas foi indicado pela professora Suenya Santos, da UFF Rio das Ostras, para fazer parte do estudo em função de sua trajetória consolidada na agricultura familiar e na economia solidária no município. A parceria entre a universidade e o coletivo vem sendo construída há seis anos, com base em relações de respeito, incentivo e apoio aos agricultores e às agricultoras familiares.
Como resultado, a oficina irá sistematizar recomendações para políticas públicas, firmada nas experiências vivenciadas pelas trabalhadoras e trabalhadores rurais, além de subsídios técnicos voltados à avaliação de riscos, vulnerabilidades e exposição às mudanças climáticas, fortalecendo ações de proteção à saúde, aos direitos e à dignidade no campo.
PESQUISADORAS DA UFF NO TERRITÓRIO
Antes da oficina nacional, pesquisadoras da Universidade Federal Fluminense estiveram no território do Coletivo Andorinhas, no dia 6 de janeiro de 2026. Participaram da visita Isabel Domingues, Ivi Tavares e Manuela Garcia, da UFF Niterói. A programação incluiu observação de campo e entrevistas com agricultores e agricultoras. Ao todo, foram realizadas cinco visitas ao longo do dia. O roteiro começou na chácara da Idacy, onde as pesquisadoras foram recepcionadas com um café da manhã preparado pelas mulheres do coletivo. Em seguida, o grupo visitou a casa de farinha do Sr. Zé e da Sra. Celina, a plantação de açaí de Vanuza e Valdecir e a chácara da Dona Naires, que relatou os desafios, as dificuldades e as perspectivas do trabalho no campo diante das mudanças climáticas.
A partir da escuta ativa de trabalhadoras e trabalhadores rurais, a pesquisa analisa como fatores como aumento de temperatura, alterações no regime de chuvas, desmatamento e mudanças no uso da terra impactam a saúde, a renda e as condições de trabalho no meio rural.
Pesquisadoras da UFF Niterói fazem visita técnica no território do Coletivo Andorinhas, no dia 6 de janeiro de 2026 - Fotos: Arquivo/Coletivo Andorinhas.
Os agricultores familiares de Rio das Ostras são um dos grupos prioritários do PEA Rede Observação. Com a metodologia da educação ambiental, o PEA Rede Observação é uma medida de mitigação exigida pelo licenciamento ambiental federal conduzida pelo IBAMA.
A realização do PEA Rede Observação é uma medida de mitigação exigida pelo Licenciamento Ambiental Federal, conduzido pelo IBAMA.