Antropóloga Camila Monteiro e sua equipe do INCRA no espaço do PEA Rede Observação, no núcleo Zebina - Foto: Iomar Santos
Na semana do dia 18 a 22 de agosto, a antropóloga Camila Monteiro e sua equipe do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) estiveram nos núcleos da comunidade Quilombola de Baía Formosa para dar continuidade ao Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), iniciado em 2012. O documento está em fase final e, quando concluído, permitirá a titulação das terras quilombolas.
Durante as visitas, os técnicos concentraram os trabalhos na demarcação física dos limites territoriais e na análise de possíveis ampliações de áreas. A elaboração do RTID é uma atividade fundamental e obrigatória que integra a regularização fundiária dos territórios quilombolas, reunindo estudos técnicos e científicos que abrangem informações cartográficas, fundiárias, agronômicas, ecológicas, geográficas, socioeconômicas, históricas, etnográficas e antropológicas da comunidade. Todas as informações coletadas serão lançadas no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do INCRA, plataforma utilizada para a tramitação e acompanhamento dos processos. A assessora jurídica da comunidade, Ana Paula Vianna, terá acesso aos dados, que se tornarão públicos na conclusão da etapa.
A próxima fase está prevista para setembro, quando a equipe retornará à comunidade. A expectativa é que os trabalhos sejam finalizados até dezembro de 2025. As reuniões de compartilhamento das informações acontecem no espaço do PEA Rede Observação, no núcleo Zebina. Nesses encontros, os quilombolas podem esclarecer dúvidas sobre cadastros e demarcações dos núcleos Cesarina, Zebina, perto da sede e Originários.
A Constituição Federal, no artigo 68 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, garante às comunidades quilombolas o direito de propriedade definitiva de suas terras. Em 2003, esse artigo foi devidamente regulamentado por meio do Decreto Federal nº 4.887, definindo a competência do Incra como órgão responsável pelo processo de titulação de terras quilombolas. A autarquia, por sua vez, realiza a condução dos processos de identificação e delimitação para titulação a partir dos procedimentos técnicos e administrativos estabelecidos pela Instrução Normativa nº 57/2009.
Os quilombolas são um dos grupos prioritários do PEA Rede Observação. Com a metodologia da educação ambiental,
o PEA Rede Observação é uma medida de mitigação exigida pelo licenciamento ambiental federal conduzida pelo IBAMA.